Advocacia x Inovação: como elas estão trabalhando juntas

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Estamos em transformação. A era digital impulsionou o aparecimento de negócios inovadores, especialmente das startups. No Direito, as legaltechs e as lawtechs apareceram para resolver antigos problemas jurídicos com suas novas soluções, gerando inovação na advocacia. Ao invés de barrar a criatividade dentro das empresas, há estímulo. Ao invés de equipes ultrapassadas, passamos a buscar profissionais inovadores.

Softwares jurídicos, jurimetria, Legal Design, análise de dados, inteligência artificial. Tudo isso é fruto da criatividade de pessoas que buscam inovar no Direito. Os escritórios que incorporam essas tecnologias e mudam seu mindset usufruem dos benefícios que sempre perseguiram: produtividade, motivação, eficiência e resultados.

Em outras palavras, um escritório de advocacia que passa a funcionar sob a ótica da inovação e da criatividade se coloca no caminho do desenvolvimento. E existem alguns princípios que podemos listar que mostram como a advocacia e a inovação podem trabalhar juntas.

#Princípios de inovação para escritórios de advocacia

Gabe Teninbaum, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Suffolk e Professor Visitante no MIT Media Lab (Grupo de Dinâmica Humana), explica os 11 princípios de inovação para escritórios de advocacia.

Para ele, “a inovação não é um estado de ser, é um processo de transformar ideias novas em soluções”. O foco dos escritórios, ao adotarem os princípios que Gabe enumera, deve ser a eficiência no atendimento aos seus clientes. E quais são esses princípios de inovação?

  1. Adote a melhoria dos processos e a gestão de projetos: para melhorar os processos internos e a relação com o cliente, o escritório de advocacia deve ter metodologias bem definidas (Agile, Lean Six Sigma etc.), bem como profissionais capacitados para colocá-las em prática.
  2. Envolva os líderes em imersões de inovação: ter um diretor de inovação (Chief Innovation Officer) é importante para tratar o escritório de advocacia como empresa, trazer novas abordagens para os demais decisores e liderar a empresa para se diferenciar no mercado.
  3. Colabore: a colaboração entre escritórios e com clientes é um caminho para a inovação, porque há compartilhamento de práticas e conhecimento, além de conexão com pessoas, o que gera mudanças positivas no ecossistema de serviços jurídicos.
  4. Mantenha o que é bom: aprimorar sua atividade ao longo do tempo é ótimo, assim como manter as práticas que já funcionam. Para tanto, use os indicadores de performance, que darão um bom norte sobre o que funciona ou não no negócio.
  5. Fale sobre as suas inovações: divulgar as inovações do escritório é uma maneira de contar aos clientes que sua empresa trabalha dessa maneira. Por isso, faça marketing jurídico considerando esse aspecto de sua identidade.
  6. Mostre aos sócios ações que agreguem valor ao negócio: nada mais é do que compartilhar informações sobre o mundo jurídico, suas transformações e os benefícios das soluções que podem ser adotadas no escritório.
  7. Monitore a inovação: ficar de olho nas tendências e nos profissionais que são expert em inovação no mercado jurídico é fundamental, assim como enviar profissionais do escritório para hackatons jurídicos e eventos sobre o tema.
  8. Use dados para apoiar decisões: mensurar a atividade é a única maneira de ver o que está funcionando no escritório. Os KPIs (indicadores de produtividade) são grandes aliados da inovação.
  9. Tenha uma equipe especialista em tecnologia: como qualquer empresa, o escritório precisa de pessoas experientes para usar novas tecnologias e analisar dados.
  10. Invista em pesquisa e desenvolvimento: é uma forma de capacitar profissionais para promover as mudanças necessárias em direção à inovação.
  11. Pense como um designer: é basicamente aplicar o design thinking ao Direito, e falaremos melhor sobre isso adiante.

É normal ter dificuldades para inovar na advocacia, por isso, fizemos um podcast com Rhodrigo Deda, advogado e Presidente da Comissão de Inovação e Gestão da OAB-PR e Mariana Faria, advogada, jornalista e Coordenadora Executiva do Programa de Inovação da LPBK, para ajudar você com dicas e ferramentas que podem lhe ajudar.

CLIQUE AQUI PARA ESCUTAR O PODCAST

#A mudança na cultura organizacional no escritório de advocacia

Cultura Organizacional é a forma como uma empresa conduz seus negócios e trata seus stakeholders. Ela define o perfil comportamental de seus profissionais e, por isso, é fundamental para que o RH defina um time coerente com a estratégia.

Em outras palavras, a cultura organizacional define práticas, políticas e comportamentos, garantindo que todos estão em sintonia entre si e com a organização.

Quando pensamos em cultura organizacional no escritório de advocacia, é preciso pensar em diretrizes de comportamento. Elas devem ser comunicadas e apresentadas no dia a dia para que todos a incorporem, porque a cultura é intrínseca à rotina dos profissionais. Responsabilidades, metas, processos, comunicação, valores, atitudes, tudo é reflexo da cultura organizacional.

Exatamente por ser incorporada no dia a dia é que sua mudança é um grande desafio. Quando o gestor jurídico se depara com maus resultados ou com uma nova “ideologia” para a gestão, é preciso pensar na mudança da cultura. No primeiro caso, pode ser que as diretrizes não estejam se encaixando como um sistema. No segundo caso, pode ser um desejo por um novo modelo de negócios.

Se ele pretende inserir a inovação como parte do modelo de negócios, é preciso mudar a cultura organizacional. E como colocar as mudanças em ação em prol da adoção de hábitos inovadores e criativos? A seguir, listamos de forma simples as principais etapas que orientam a mudança:

  • Defina a mudança da cultura organizacional como prioridade;
  • Tome consciência da sua cultura atual e faça uma avaliação dela para encontrar pontos positivos (que devem ser reforçados e mantidos) e pontos de melhoria;
  • Trace uma nova cultura a partir de sua análise;
  • Comunique os funcionários;
  • Alinhe as lideranças;
  • Modele a nova cultura e mude de vez o paradigma mental.

Destacamos alguns pontos que o gestor precisa dar maior atenção.

#Cultura atual x cultura pretendida

A mudança da cultura organizacional foi definida como prioridade neste momento do escritório. O processo é demorado e envolve todos os profissionais, que devem ser comunicados sobre o desejo de mudança. Mas o que será alterado? Como fazer isso?

Há gestores que preferem ter um olhar externo para compreender a situação atual e as possibilidades de transformação. Outros escolhem um líder no escritório que será responsável pelo processo. Seja como for, será preciso ter uma equipe para liderar a mudança, reunindo pessoas que participam dos processos de gestão e decisão.

Esse grupo deve compreender os valores compartilhados pelos times a partir da observação das pessoas no ambiente de trabalho. Dialogar com elas e entender os aspectos fortes e fracos da cultura também é fundamental. Essas práticas são importantes para uma avaliação precisa da cultura atual.

A partir da lista das forças e fraquezas, a equipe saberá o que deve ser preservado, pois pode trazer mais resultados positivos. Saberá, de igual maneira, o que não deve ser mantido, como as ações obsoletas e tradicionais. Lembre-se de que estamos falando de criatividade e inovação na advocacia. Então, estamos assumindo que a nova cultura organizacional é inovadora.

Com esse panorama geral, é hora de pensar como assumir uma cultura organizacional inovadora. Quais são os aspectos culturais de sucesso ausentes em seu escritório? O que pode ser potencializado? Quais os novos valores e princípios? Se você não sabe por onde começar, fica uma dica: listamos os princípios de inovação para escritórios de advocacia.

Que tal pensar neles neste momento? Confira uma das palestras no evento realizado pela Preâmbulo Tech de Inovação na área jurídica.

Diante desse novo panorama, o gestor deve pensar em comunicar as novas ideias aos profissionais. Neste ponto, o trabalho das lideranças será essencial.

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